segunda-feira, novembro 03, 2008

Cuuuuuurto circuito no campo

Tetê acha que entendeu de uma vez por todas o que significa "curto circuito". Apesar de não se tratar de um circuito "curto"... para ela se tratou disso sim! As correntes que passavam pelo cérebro de Tetê nas últimas semanas achavam, pelo menos, que precisavam de um espaço – digamos assim – menos curto (Matemáticos e físicos de plantão: estamos utilizando a tal licença poética, ouviram???)

Ela estava acelerada no trabalho e nas festas. Saía de uma reunião para outra sendo obrigada a parar no cabeleireiro no meio delas, porque tinha um jantar logo mais. Visitava uma exposição carregada de sacolas de boutiques porque aceitara um convite de última hora para um aniversário. Brigou com a caixa do supermercado que não quis aceitar o cartão fidelidade da companhia aérea, que ela jurava ser o cartão de crédito. E o curto mesmo aconteceu na última sexta-feira, quando ela levantou, comeu um biscoito do Beto e deu a ele uma xícara de café preto bem forte.

Aí ela chorou e ligou para um amigo gay lindo que tem uma chácara linda num lugar lindo. A primeira providência de Cacá foi visitá-la no final da tarde e dar uma renovada no apartamento. Mudaram vasos de lugar, inutilizaram uma mesinha de canto, saíram e encomendaram um sofá novo florido, e levaram para casa um tapete de seda bordado em tons vibrantes.

Houve – lógico – atritos profundos entre Cacá, tapete e Beto: acontece que Beto estranhou o tapete e a camiseta de cetim do Cacá. Cacá, por sua vez, xingou o Beto de despenteado, escandaloso e babão. Mas por respeito à Tetê, muitos latidos e gritinhos mais tarde, relevaram as diferenças e agiram como gente grande num meigo quadro de conciliação: Cacá no tapete, Beto no colo de Cacá, Tetê fotografando o momento sublime. E no sábado, Tetê e Cacá embarcaram para a chácara depois de deixar o Beto (que dormiu no tapete) na casa da vovó.

A casa de Cacá no meio do mato é divina! Feita de troncos imensos, com um jardim de inverno no meio da sala que invade o piso superior. Apesar de estarmos praticamente no verão, chovia e fazia frio, e os dois passaram mais tempo comendo e bebendo na frente da lareira do que em outro lugar qualquer. Saíram e deram uma volta a cavalo, mas a chuva impedia aquele salutar contato com a natureza repleta de mosquitos, aranhas e afins. Cacá dispensou os serviços do casal que toma conta da propriedade e fez questão de cozinhar pessoalmente para a amiga em curto (Surto não! Curto...). Um verdadeiro anfitrião, chiquérrimo e amoroso, que levou Tetê para ver as vaquinhas, a horta, o lago, e para tirar ovo no galinheiro, o que rendeu uma gemada maravilhosa cheinha de canela.

Nos breves intervalos daquela orgia gastronômica, Tetê deitava com a cabeça no colo de Cacá e falava, falava, falava... Cacá fazia rolinhos com os cabelos da amiga, enquanto tentava desfazer os rolinhos que se formavam dentro da cabeça dela. Tetê estava tomada por uma paz inigualável, distante de computadores, celulares, campainhas, horários, e mergulhada naquele ambiente bucólico, renovador, onde tudo era verdinho e perfeitinho. A voz de Cacá era calma, compassada, transmitia serenidade e segurança, era uma voz perfumada e permeada de palavras doces. Ele tinha um labrador quietinho, calminho, bondoso, zeloso como o dono, que ficava horas a fio aos pés de Tetê, imóvel e enamorado. Parecia um sonho, do qual ela não queria acordar.

Logo após o almoço de domingo, Cacá e Tetê voltaram para a frente da lareira e retomaram a aura angelical: ela deitando a cabeça no colo suave dele, ele fazendo rolinhos no cabelo dela ao som do Concerto de Branderburgo número 3. O labrador sentadinho aos pés dela. E de repente... um grito de terror invade a sala e Tetê é arremessada violentamente ao chão. O labrador se assusta, sai correndo e derruba os copos de conhaque de cima da mesa, enquanto os gritos apavorantes aumentam. Tetê, do chão, vê o caseiro entrar com a espingarda na mão. E eles então percebem que os gritos vêm de um Cacá ensandecido, que sapateava violentamente enquanto fazia um streap tease desajeitado. Enquanto tenta levantar do chão e alcançar o labrador desesperado, Tetê distingue uma só palavra dentre os gritos do amigo: grilo.

Era isso. Um grilo. Aquele escândalo todo foi por um grilo que descuidadamente entrou na manga do pullover do Cacá. Nada mais, nada menos: um grilo. E um singelo Cacá em curto. Surto circuito. Longo. Longa mesmo foi a viagem de volta, com Cacá se penitenciando: de quilômetro em quilômetro ele parava no acostamento, descia do carro e dava volta até chegar na janela, beijava as mãos de Tetê e dizia "sorry, sorry, darling". Foram 52 quilômetros. E 52 "sorry, sorry, darling".

7 comentários:

Anônimo disse...

por que voce não conta de uma vez o paradeiro do piscina de bolinhas???

Anônimo disse...

por que voce não conta de uma vez o paradeiro do piscina de bolinhas???

Edu disse...

Mulher... voce tá muito quieta mesmo...
Me liga quando puder?
Beijos

Cida disse...

Eu to tentando entender, Tetê. Você sempre fala do começo de relação, mas do final você só falou sobre uma delas. Então eu pergunto: foi a única importante? E os outros caras? Como eles saíram da sua vida? Essa caixa preta também dançou?
Ai, me ensina, vai!!!
Beijos e uma super admiração por você!

Tetê disse...

Oi anônimo! Você postou duas vezes o mesmo comentário, é? Tudo isso é curiosidade? Ah, eu ando mesmo muito má, vou deixar essa curiosidade te roer mais um pouquinho!!!
Beijos....

Tetê disse...

To quieta, né Edu? Mas você vai ver que recebi um convite pra passar o Reveillon no Rio! O que te parece? Topas? Depois te passo o número do vôo. E a namorada como vai? Não esqueça da minha comissão!
Beijos mil no casal.

Tetê disse...

Ô Cida, que bela encostada na parede você me deu, hein? Isso é coisa que se faça?
Olha, não é que tenha sido a única relação importante. Mas sem dúvida foi a única que doeu! Que me fez descer do salto e tocar bumbo na banda, bem na primeira fila, viu?
Os outros caras... eu vou saindo assim, devagarzinho... não deixo ninguém sentir, acho que fica mais charmoso, né?
Posso te ensinar sim! Quanto você paga pela hora/aula? Rsrs
Beijos mil, querida aluna.