terça-feira, outubro 14, 2008

O charme, a dor e a delícia do anonimato

Os dias frios e cinzentos estão indo embora, o que significa que Tetê está num movimento magnificamente inverso! Ela consegue acordar cedo, sentar no chão com o Beto enquanto ele devora um mix de mamão, maçã e banana (verdade, ele enlouquece com as refeições matinais que a "pediatra" liberou), ler todos os jornais, passar alguns minutos na bicicleta que não sai do meio da sala (mas é enfeitada com uma manta de fios deslumbrante da designer mais que deslumbrante Márcia Ganem), e mesmo quando deveria se sentir absolutamente exaurida com essas árduas tarefas, consegue sair de casa leve, solta e saltitante.

No elevador ela cumprimenta efusivamente dois vizinhos carrancudos que resmungam algo como "om ia". Lógico! Dizer um "bom dia" completo é uma utopia para qualquer bom vizinho curitibano! Mas Tetê nem liga, continua bem humorada e esvoaçante na blusa de camadas levíssima que escolheu para saudar um calorzinho. Engraçado mesmo é que na horinha de escolher uma sandália, um pensamento trágico, urgente mesmo, lhe passou pela cabeça: ela precisa de novas sandálias! A galeria colorida na sua frente não é suficiente, como sempre. Nem a sandalinha de cristal para encontrar lobos maus legítimos podia satisfazer esse tipo de desejo – o de uma sandalinha nova.

O dia passou, ela fechou um negócio interessante e saiu do escritório mais cedo. Andou a pé pelas ruas, viu vitrines, consultou um conselho de amigas pelo celular para saber as últimas fofocas, contratou um eletricista para trocar todos os spots do quarto enquanto experimentava uma calça bárbara na Le Lis, e... de repente... lembrou: calor, horário de verão, outubro.... aniversário! Ela estava quase fazendo aniversário! Well. Tirando o fato de que mudar de número é complicado tooooodos os anos, isso era um bom sinal. Sinal de festa à vista, de reunir gente gostosa, de apagar velinhas, de se divertir muuuuito! E para compensar o peso da idade, se deu de presente o primeiro item: a calça bárbara.

Uma pontinha de remorso depois, comprou uma centopéia para o Beto (inimaginável ela ter um presente e ele não!) e voou para casa para vê-lo abrir o pacote. Na portaria, um pacote sem remetente. Enquanto o Beto tentava devorar a caixa da centopéia, ela devorou o papel dourado do seu próprio pacote. Nenhum cartão, nem uma dica, nem uma pista. Se duvidar, nenhuma impressão digital. Mas em compensação, uma sandália dourada simplesmente estonteante, que servia!!! Exatamente o seu número...

Tetê pegou emprestada a centopéia do Beto e deu uma mordida. Uma coisa ela aprendeu nessa vida: nunca, nunca, nunca, nunquinha mesmo, passar a mão no telefone e perguntar toda alegrinha: "Foi você?"

Tetê continuará a morder a centopéia. Continuará a morder o Beto. E continuará a se morder de curiosidade. Mas jura de pés juntos (calçados com a sandália dourada nova, claro!) que vai esperar alguém se manifestar. Melhor do que sair por aí dando montanhas de foras e despertando sentimentos bélicos em todo mundo que responder "Fui eu o quê?"


6 comentários:

Rui disse...

fui eu, fui eu, fui eu, fui eu!

Anônimo disse...

No fundo, bem lá no fundo, você sabe quem foi... ou você não lembra de ter visto essa sandália com alguém???
kisses

Tetê disse...

Rui! Rui! Rui! Rui!
Que coisa! Que coisa! Que coisa! Que coisa!
Vou recomendar um banho frio...
Beijos

Tetê disse...

Bem, "anônimo"... o que você quer ouvir?
Kisses...

Anônimo disse...

um convite para um café já seria o máximo.
kisses "anônimos"

Tetê disse...

Olá "anônimo"! Não pude lhe convidar para o café, viu? Mas continuei usando a sandalinha!